Berbigão

tivela bruno coelhoO Berbigão (Tivela mactroides), também conhecido como marisco-da-areia, vôngole ou novidade, é um animal marinho pertencente ao grupo dos moluscos, ao qual também pertencem as ostras, os mexilhões, os caramujos, as lulas e os polvos.
O berbigão vive enterrado na areia de algumas praias. No Brasil, há registros desse animal, além da Enseada de Caraguatatuba, em Ubatuba e Balneário Camboriú, porém em menor quantidade. Em quantidade equivalente àquela encontrada em Caraguatatuba, atualmente só há registro na Venezuela (Isla Marguerita). O berbigão de praias é diferente do berbigão do mangue (Anomalocardia brasiliana), apesar da semelhança entre eles. Também, apesar de ser chamado por algumas pessoas como marisco, é diferente do marisco da pedra, o mexilhão.
Seu ciclo de vida já foi estudado na Enseada de Caraguatatuba. Sabe-se que os indivíduos jovens (recrutas) ocupam inicialmente a parte submersa da enseada, até cerca de 5 m de profundidade. Ao longo de sua vida, os berbigões se deixam levar, rolando, pelas correntes de marés até que, na fase adulta (maiores que 20 mm), com tamanho ideal para a captura, ocupam a praia.
A reprodução se dá continuamente, durante todo o ano. Machos e fêmeas eliminam seus gametas na água do mar e a fecundação ocorre fora do corpo dos animais (fecundação externa), não havendo cópula. Os óvulos fecundados se transformam em pequenos ovos flutuantes, que ao eclodirem liberam larvas também flutuantes (planctônicas). Após um período de permanência na água do mar, as larvas vão para o fundo e assentam no sedimento, onde sofrem metamorfose, se transformando em um pequeno berbigão.

O berbigão, que é alimento típico de comunidades caiçaras, possui carne saborosa e é preparado em diversos pratos: refogados, espaguetes, omeletes, ao vinagrete, tortas, panquecas, moquecas, sopas, suflês e risotos. A partir de censos de coletores e entrevistas realizadas, estimou-se, no ano de 2005, um consumo anual de cerca de 30 toneladas do berbigão na Enseada de Caraguatatuba.
No entanto, os estoques do berbigão sofrem fortes variações. Em um período de dois anos, verificou-se um aumento na quantidade do animal da ordem de mais de 100 vezes, porém com tamanho muito pequeno para o consumo humano. Esse aumento no estoque do berbigão ocasionou em uma grande mortalidade de animais nas praias nos anos de 2007 e 2008, causando problemas ambientais e de saúde pública, uma vez que os animais apodreceram nas areias das praias, principalmente no Porto Novo e Palmeiras. O berbigão também pode praticamente desaparecer da praia por um tempo.

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